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Arberry al-Fudail


ARBERRY, A. J. Le soufisme: La mystique de l’Islam. Jean Gouillard. Paris: Editions Le Mail, 1988

Veja: versão francesa, da tradução abaixo

Durante este tempo, no Iraque, a corrente ascética se espalhava igualmente em novas direções. A violenta reação de Bishr b. al-Harith contra a sociedade reencontra-se em al-Fudail b. 'Iyad (morto 187/803), ele também um filho do Khorassã, que passou muitos anos em Kufa e morreu em Meca. "Em verdade, dirá ele, gostaria mais de ser este pó ou este muro que de partilhar a vida nonchalante de meus contemporâneos terrestres mais elevados. Tu temes a morte mas conheces a morte? Se me dizes que temes a morte, não te acreditarei; pois se temias realmente a morte, não acharia vantajoso comer ou beber ou possuir seja lá o que for neste mundo. Se tivesses realmente conhecido a morte, nunca te terias casado, nunca terias desejado filhos."

Um discípulo de al-Fudail observa que o acompanhou durante vinte anos sem tê-lo visto rir ou sorrir senão uma única vez, o dia em que perdeu seu filho 'Ali. Como o interrogava sobre esta mudança de humor insólita, foi-lhe respondido: "o Todo-Poderoso amou uma coisa e eu a amei também." Em um registro menos austero, a mesma nota de austeridade ressoa na linguagem de Rabi'a, a célebre mística de Basra (morta 185/801). Pedida em casamento por diversos homens piedosos, repeliu todas as ofertas dizendo: "O contrato de matrimônio é para aqueles que têm uma existência fenomenal. No meu caso, esta existência não existe. Pois cessei de existir e estou morta para o eu. Existo em Deus e sou inteiramente sua. Vivo à sombra de seu comando. É a Ele que é preciso pedir o contrato de matrimônio e não a mim." Rabi'a estava literalmente assombrada pelo sentimento da presença imediata de Deus; um dia em que estava doente, respondeu a um visitante que indagava a causa de seu mal: "Em nome de Deus, não vejo outra causa à minha doença, se não que o Paraíso foi desdobrado diante de mim e que anseiei por ele em meu coração; e creio que meu Senhor teve ciúmes disso e me fez assim censura; ora, somente ele pode me tornar feliz." Sua célebre oração é da mesma veia: "Se Te adoro por temor do Inferno, queima-me no Inferno; se Te adoro na esperança do Paraíso, exclui-me do Paraíso. Mas se Te adoro por Ti mesmo, não me prives de tua Beleza eterna." O nome de nossa mística ficou ligado à primeira enunciação sufi da doutrina do Amor Divino chamada a se tornar um dos traços mais característicos do movimento. Seu curto poema sobre este tema é um dos mais citados da literatura sufi.

Amo-Te de dois amores: amor visando minha própria felicidade, e amor verdadeiramente digno de Ti.
Quanto a este amor de minha felicidade, é que me ocupo em não pensar senão em Ti e em nenhum outro.
E quanto a este amor digno de Ti, é que teus véus caem e que Te vejo.
Nenhuma glória para mim, nem em um nem em outro, mas glória a Ti, por aquele e por aquele.